O PRINCÍPIO DA GRATIDÃO

(Tese para Shodan do Instituto Takemussu brazil aikikai).
Por LUIZ CAMINO.


Após alguns anos de prática (na verdade, poucos anos se comparados com os nossos grandes mestres); achei por bem escrever sobre gratidão, ou melhor, aquilo que aprendemos nos princípios essenciais do aikido: “As quatro gratidões”.
Nada mais justo do que agradecer a tudo e a todos que me ajudaram a chegar neste momento da minha vida, momento este tão esperado por todos os praticantes desta arte: O EXAME PARA SHODAN! Mas, temos que entender que a busca pela harmonia, em todos os sentidos, é contínua e eterna. Devemos ter a humildade de agradecer sempre, pois ninguém consegue evoluir neste caminho sozinho.
Dentro dos princípios essenciais, temos as “Quatro Gratidões”:
1) GRATIDÃO PARA COM O UNIVERSO
Como dizia O-Sensei: “Quando você reverencia o universo, ele o reverencia de volta.”
Na minha opinião, devemos agradecer todos os dias ao universo, a tudo que nos rodeia e a oportunidade de estarmos vivos e saudáveis, para que possamos desfrutar dessa criação divina.
Como está escrito na Bíblia, livro de Gênesis: “No começo DEUS criou os céus e a terra”, sendo assim, nós viemos depois desta criação, por isso, devemos gratidão a este universo maravilhoso.

2) GRATIDÃO PARA COM NOSSOS ANCESTRAIS E PREDECESSORES
Nossa gratidão deve se estender aqueles que vieram antes de nós, que abriram as portas para nossa existência e com isso trouxeram a modernidade, o conhecimento, a ciência e tudo mais que nos rodeia.
O grande mestre de judô, KYUZO MIFUNE (1883-1965), sempre dizia: “Sou grato aos meus pais por me darem um corpo tão pequeno. Dessa maneira, eu posso treinar duas vezes mais para derrotar aqueles que são bem maiores, e minha técnica se tornar mais poderosa.”
Assim como este grande mestre, devemos ter gratidão pelo que somos e por quem somos, buscando melhorar a cada dia, mas sempre se lembrando daqueles que estiveram aqui antes de nós.
Ainda no livro de Gênesis, podemos ler: “Então, do pó da terra, o SENHOR formou o ser humano. O SENHOR soprou no nariz dele uma respiração de vida, e assim ele se tornou um ser vivo.”
A partir deste momento, devemos gratidão!

3) GRATIDÃO PARA COM O PRÓXIMO
Ninguém vive ou cresce neste mundo sozinho. Por mais que uma pessoa diga que vive muito bem só, um dia, ainda bebê, ele precisou dos cuidados de alguém para se tornar um adulto.
A gratidão para com o próximo deve ser eterna. Mesmo que um dia você atinja um alto grau de conhecimento e prática através do aikido, você sempre deverá ser grato a todos que passaram junto com você por este caminho.
Mestre UESHIBA disse uma vez aos seus alunos: “Na verdade – eu não tenho alunos – vocês são meus amigos, e eu aprendo com vocês.”
Na Bíblia, no evangelho de Lucas, podemos ler: “Não julguem os outros, e DEUS não julgará vocês. Não condenem os outros, e DEUS não condenará vocês.”
A partir do momento que deixamos de julgar os outros, deixamos nosso coração mais aberto para que possamos ter gratidão ao próximo.

4) GRATIDÃO PARA COM AS PLANTAS E ANIMAIS QUE SACRIFICAM SUAS VIDAS POR NÓS
O monge zen RYOKAN (1768-1831) se curvava e pedia a bênção de BUDA toda vez que encontrava agricultores trabalhando nos campos de arroz.
Dependemos diariamente dos alimentos que nos sustentam e que nos mantém vivos a cada dia. Em tempos passados, os índios norte-americanos caçadores nunca se esqueciam de agradecer aos animais que generosamente se deixavam matar.
Na Bíblia, em Deuteronômio, está escrito: “Juntem a décima parte das colheitas e guardem nas cidades onde vocês moram. Essa comida é para os levitas, para os estrangeiros, os órfãos e as viúvas, assim todos eles terão toda a comida que precisarem.”
Como podemos ver, além de agradecer por tudo aquilo que nos alimenta, devemos também dividir, como um gesto de gratidão, com aqueles que necessitam e que por algum motivo, não tem o alimento de cada dia.

Em resumo, o mundo viveria em verdadeira harmonia se todas as pessoas que aqui vivem, deixassem de lado o orgulho, a vaidade e a presunção, e tivessem o prazer de ser grato.
Acredito que essa seja nossa busca. A busca da melhoria constante em diversos aspectos: técnicos, financeiros, espiritual, na saúde, entre outros. Mas, para que isso ocorra, devemos deixar de lado nossas crenças e os padrões que nos são implantados, para que possamos deixar o novo entrar em nossas mentes. A gratidão é uma forma de mudança, pois se você é grato a alguma coisa ou a alguém, é por que esta coisa ou este alguém está lhe fazendo bem; e quando algo lhe faz bem, você se entrega de corpo e alma, ou seja, você absorve tudo com mais facilidade.
Sendo assim, estou aqui apenas para agradecer, de uma forma humilde a cada um que esteve neste caminho chamado AIKIDO.

A GRATIDÃO É UMA DAS FORMAS DE DISSEMINARMOS O AMOR!

AGRADECIMENTOS
Para aqueles que não sabem, sempre pertenci ao shugyo dojo da cidade de Santos, mas fiquei morando em São Paulo por seis anos; sendo assim, o instituto takemussu se tornou; pelo menos para mim, uma extensão do shugyo aqui em São Paulo, principalmente nas aulas de sábado de manhã que são ministradas pelo Sensei Tamotsu. Desta forma, gostaria de fazer estes agradecimentos em dois blocos: “a turma de São Paulo e a turma de Santos”, que no fundo, pertencem à mesma família.
Começo agradecendo a DEUS, por hoje está aqui!
Agradeço muito a minha família pela paciência e pelo incentivo.
Agradeço a O´SENSEI, pela iluminação espiritual.
Ao nosso Sensei Wagner Bull, o aluno mais aplicado de todo instituto.
“A TURMA DE SANTOS”: Sensei Tamotsu, Sensei Osmar, Senpai Fred, Senpai Rodrigo, Senpai Ilídio, Senpai Nilce, Senpai Paty, Senpai Claudião, e aos amigos: Antonio, Asse, Marcelo, Hílios, Evandro, Lais, Eliete, Rosana, Mercedes, Shin Iti, Marcos, Seiki, Amilton, Denise, Rubens, Bruna, Rogério, Roman, Vitor, Marcelo, João, Claudio, Carlos, José, Sandra, Wilson, Adão, Guilherme, Minder, Michelle, Glaucia, Yohan, Felipe, Nilson, Nilton, Roberto, Kenji. Agradeço também aquela turma do “meu” começo, que saiu um pouco do caminho, mas acredito que um dia voltarão: Brisotti, Éder, Marcão, Dunga, Kasunari, Jorge, Marcos Tenente, Ilo, Luiz Felipe “Casca”. Aproveito para me desculpar pela minha ausência, pois muitos se ofereceram para me ajudar a treinar para o meu exame, mas devido a minha falta de tempo, entre viagens e compromissos, deixei de comparecer e aproveitar o treinamento. Mesmo assim, fica o meu agradecimento e meu carinho por cada um de vocês.
“A TURMA DE SÃO PAULO”
Um agradecimento especial ao meu companheiro de exame, que deixou suas horas de folga para treinar comigo: Raimundo Nonato. E aos amigos de todos os dias: Alexandre Bull, Miura, Matsuda, Edgar, Cristina, Bruno, Otávio, Claudineis, Rodrigo Silvério, José Carlos, Marcelo Anache, Ademar, David, Roque, Camilo, Willian, Pierre, Élio, Guilherme Sueto, Roberto Sato, Rafael, Alexis, José Rodrigo, Eduardo Kanasi, Marcão, Fabi, Fabinho, Washington, Cris Godoy, Rafinha, Rodrigo, Claudinha, Satie E Bala, Cabral, Ednei, Gomig, Alexandre Borges, Consani, Marcos Ucci, Amauri, Sidão, Esbaile, Yamadinha, Edu, Sensei Constantino Delis, Francisco Lima, Thiago Conde e Sensei Conde.
Gostaria também de agradecer a uma pessoa que apesar de não treinar conosco, tem grande importância dentro do instituto: Dra Marília, pelas palavras de carinho com a minha pessoa.
Com certeza, esqueci de citar vários nomes que já percorreram este caminho junto comigo, por isso, fica o meu agradecimento: DOMO ARIGATÔ GOZAIMASHITA!

Original em http://www.aikikai.org.br

TESE PARA SHIDOIN -PROFESSOR DE AIKIDO

Por Ney Tamotsu Kubo

 

INTRODUÇÃO

É comum, nos meios marciais, que os professores batizem seus locais de ensino (dojo) utilizando-se de palavras e termos significativos para as mesmas.
No aikido não é diferente.
Termos que fazem parte do “shobu aiki” (sabedoria do caminho) são freqüentemente usados para nomear um dojo de aikido, os quais sejam: mussubi, kokyu, agatsu, kokoro, masakatsu, heijoshin, tada ima, marubashi, ooyama shin, etc.
No nosso caso, o professor Osmar, há cerca de 15 anos atrás, escolheu o termo shugyo para nomear um possível grupo de treino que viria a se tornar real cinco anos depois.
Passado o tempo, o termo acabou assumindo significados bem superficiais para nós e nossos alunos, tais como: treinar forte e com dedicação ou, simplesmente, o nome do dojo no qual treinamos.
Não é sem tempo, portanto, discorrermos um pouco mais profundamente sobre este termo bastante antigo na cultura japonesa e com uma ligação tão relevante com o caminho que decidimos trilhar, o Takemussu Aiki.

DEFINIÇÕES

Tendo um dicionário básico de língua japonesa em mãos nos deparamos com, pelo menos, meia dúzia de definições para o termo shugyo.
Entretanto, a nós nos interessa apenas dois deles:

1 – Budismo: ascetismo, ascese, prática ascética, treino, provação.
Ex.: Shugyo chu de aru. (Estar em provação).
2 – Adestramento, treino.
Ex.: Musha shugyo. (Aperfeiçoamento nas artes marciais).

Nota-se, aqui, a origem religiosa do termo e, também, a estreita ligação que as artes marciais possuem com a religiosidade. Isso é explicado devido à cultura japonesa, tanto marcial quanto intelectual, estar baseada nos ensinamentos xintoístas, que prezam pela harmonia dos seres humanos com todas as coisas existentes, vivas ou aparentemente inertes.
No caso do aikido, O’Sensei constantemente frisava que o caminho do aiki deveria ser trilhado através do shugyo:

“Aiki é o poder da harmonia,
De todos os seres, de todas as coisas operando juntas.
Exercitem-se persistentemente,
Seguidores do Caminho.”

“Desde os tempos antigos,
O conhecimento profundo e o vigor marcial
Têm sido as duas rodas do Caminho;
Através da virtude da prática,
Iluminam o corpo e a alma.”

Os alunos que tiveram um contato mais próximo com o fundador também expressaram uma grande preocupação em passar, aos praticantes de aikido de todo o mundo, o verdadeiro significado do shugyo, não apenas no contexto do aprendizado dentro do dojo, mas para suas vidas.
Kanshu Sunadomari, uchideshi que recebeu o 9º dan das mãos de O’Sensei em 1961 e, após sua morte, fundou a escola Aiki Manseido Aikido, assim definiu shugyo:

“A palavra shugyo foi, no passado, um termo budista para explicar disciplina, treino e práticas harmoniosas no budismo, além do cultivo dos ensinamentos budistas de bondade e a prática de realizar essa atividade por meio de boas ações. Mais tarde, a palavra entrou no uso cotidiano do idioma japonês para descrever treino extensivo de qualquer tipo, incluindo artes marciais. Como muitas outras palavras, essa também se afastou muito do seu sentido original. A palavra shugyo que está no uso comum atualmente indica algo muito menos difícil do que no passado.
Considerando ainda mais o conceito de shugyo, creio que ele se aplica a todos os nossos comportamentos na vida quando contemplamos a importância e o significado da existência e mobilizamos nossos pensamentos e crenças para colocar isso em prática. Se cada pessoa tem realmente um propósito e uma missão para os quais ela recebeu a vida na Terra, mas falhou em defini-los claramente, ao viver a vida de uma maneira egoísta fazendo somente aquilo que deseja, então, como conseqüência, o mundo será inevitavelmente jogado em uma situação de desordem.
Hoje, no mundo moderno, graças a coisas como leis, contratos, tratados e pactos, etc., atingimos um ponto em que a estabilidade pode ser mantida. Devemos ter em mente que tal estabilidade pode não durar para sempre e pode desmoronar sem aviso a qualquer instante. O contínuo conflito que ocorre em algumas partes do mundo é evidência disso. Os seres humanos, como companheiros habitantes do mesmo planeta, devem ter um propósito coletivo comum. Esse propósito deve ser nada mais do que construir um paraíso eterno aqui na Terra. Todas as coisas devem mover-se na direção desse objetivo e, por meio da educação, nutrir cada indivíduo, dando vida às suas habilidades para conquistar esse objetivo.
Voltando, pois, ao conceito de shugyo, acredito que o verdadeiro objetivo de shugyo é adotar e fortalecer o bom coração dentro de cada um de nós. Isso acaba se tornando um hábito por meio da auto-reflexão instantânea para distinguir o bom do mal, para vencer o mal por meio do bem, e fazer da prática de boas ações parte de nosso dia-a-dia.”

Estas palavras expressam de forma bem clara a idéia que O’Sensei tinha de shugyo:

“Agatsu significa a vitória sobre si mesmo graças à pureza de alma. Masagatsu é a vitória correta, o caminho certo. Katsu hayabi representa o despertar espiritual do não-tempo e não-espaço. A sabedoria combinada destas palavras é a raiz de shugyo. Sem ela, nenhum aprimoramento é possível.”

Percebemos, assim, que o conceito de shugyo depende da compreensão desta frase, a qual O’Sensei utilizava quando lhe perguntavam o que era o aikido: “Aikido é masakatsu, agatsu, katsu hayabi.”
Muito mais do que um modo de se conduzir a prática física (taiso), shugyo significa ajustar nossas sentimentos, pensamentos e ações de forma que tudo o que façamos esteja em perfeita sintonia com a ordem universal, não causando sofrimento a nós mesmos e nem a quem ou o que nos rodeia (daishizen).
Assim William Gleason, professor de aikido e estudioso da filosofia japonesa, cita em seu livro “Os Fundamentos Espirituais do Aikido” como O’Sensei definiu as etapas pelas quais o indivíduo deve passar para alcançar esse estado:

“O’Sensei prescreveu três estágios de treinamento para seus alunos. O primeiro coloca a mente em ordem, ou seja, em harmonia com a atividade universal. Isso faz da mente um servo submisso da vontade, para que não seja mais movida pelos sentidos ou pelos caprichos do ego. É o masakatsu, a apreciação correta e a percepção direta que tornam possível o movimento espontâneo. É a intenção correta, o fundamento de toda a formação espiritual.
O segundo estágio harmoniza o corpo, todo o nosso ser, com a mesma ordem universal. Essa unificação de corpo e mente ou shin shin toitsu é o início do auto-domínio, agatsu.
O estágio final coloca o ki, que unifica a mente e o corpo, em harmonia com a ordem universal. Nesse estágio, a pessoa perde a noção de saber qualquer coisa: toda a capacidade desaparece. Não há nenhuma diferença entre uma pessoa e outra qualquer. O’Sensei referia-se a isso como katsu hayabi.”

CONCLUSÃO

Como meu Sensei, Shihan Wagner Bull, sempre nos ensina, ninguém consegue ter o total conhecimento de algo. Ao nos dedicarmos a um aprendizado, qualquer que seja, mantendo o espírito de makoto (sinceridade) percebemos que estamos constantemente evoluindo e aprendendo coisas novas, eternamente.
Posto isso, no estágio da vida em que me encontro, concluo que, quando falamos em shugyo, dentro do contexto do caminho do aiki e, conseqüentemente, do caminho da vida, devemos, num primeiro momento, colocar uma meta em nossa caminhada e seguir adiante, utilizando-nos da força de aramitama, a alma que desenvolve a nossa bravura, coragem, espírito empreendedor e desafiador. Mas, a escolha desta meta deve ser sábia, justa e verdadeira. A inspiração para essa escolha vem de sachimitama, a nossa capacidade de amar, sonhar e criar. Através de kushimitama, que nos faz perceber tudo que está acontecendo a nossa volta a fim de seguir o caminho correto, filtramos os exageros que sachimitama nos causa e definimos nossa meta com os pés no chão, cientes do mundo real. Por fim, graças a nigimitama, que traz empatia para nossa vida, a energia empreendedora de aramitama encontra equilíbrio para realizar a meta, vislumbrada através de sachimitama e ajustada pela sabedoria de kushimitama.
Em suma, a provação pela qual passamos por esta vida só é realmente shugyo se for realizada por masakatsu, agatsu, katsu hayabi, ou seja, se ela ocorrer em profunda sintonia com a ordem universal, momento no qual todos os nossos conflitos e sofrimentos cessam e tudo fica em seu devido lugar.

“No estágio da vida em que me encontro…”
Kanshu Sunadomari

BIBLIOGRAFIA

Bull, Wagner José. Aikido – O Caminho da Sabedoria – A Teoria. Editora Pensamento.
Ueshiba, Kisshomaru. O Espírito do Aikido. Editora Cultrix.
Stevens, John. A Filosofia do Aikido. Editora Cultrix.
Stevens, John. Os Segredos do Aikido. Editora Pensamento.
Sunadomari, Kanshu. A Iluminação Através do Aikido. Editora Pensamento.
Gleason, William. Os Fundamentos Espirituais do Aikido. Editora Pensamento.
Michaelis. Dicionário Prático Japonês-Português. Aliança Cultural Brasil-Japão/Editora Melhoramentos.

 

Fonte: http://aikikai.org.br/site.php?pagina=lista_artigos.php?categoria=4

PALAVRAS DE MORIHEI UESHIBA

Aiki News #56 (Julho de 1983)

Tradução – Jaqueline Sá Freire (Brazil Aikikai – Hikari Dojo – Rio de Janeiro).

O artigo que se segue foi preparado com a assistência de Joe Sgambellone.

O Caminho para a reestruturação de pessoas fisicamente fracas da atualidade está no Aikido. Esta é uma grande verdade, oferecida pelo (Universo do) céu e da terra. O Aikido é o budo (arte marcial) que abre o caminho para a harmonia; ele está na raiz do grande espírito da reunificação de toda a criação. O Grande Universo corporifica todas as forças e poderes (lit., “uma alma, os quatro espíritos, as 3 origens e os 8 poderes”) e a partir deles vieram as origens da força da vida humana. O universo e a humanidade são como um único corpo. Entretanto, apesar da humanidade ter o poder de se unificar com o universo, ela está sendo incapaz de fazer esta união, o que gera sua condição de infelicidade. Quando uma pessoa se coloca diante de um santuário e faz suas orações, seu propósito é se unificar com a deidade. A bela forma do Universo dos Céus e da Terra se tornou uma família criada pelo Senhor. Este mundo e toda a grandeza da Mãe Natureza são uma única coisa. Nesta união não há nada que seja definido como inimigo, ou que seja distinguida como amigo. Devemos esperar encontrar lugares pacíficos e agradáveis aonde as lutas foram esquecidas. O próprio Universo, tudo o que é manifestado pela Mãe Natureza, pode ser chamado de “uma Cristalização da Sabedoria” ou o “Corpo Unificado do Amor”. O papel da humanidade é materializar este propósito enviado pelos Céus através de um coração sincero que esteja em harmonia com toda a criação e que ame todas as coisas. Ao fazer isso o ser humano preenche seus dias com felicidade, e uma vida assim ajudaria às pessoas que têm o corpo fraco. Há 30 anos eu tinha um corpo extremamente fraco. Naquela época, eu tinha um sonho secreto. Neste sonho, eu desejava ser o homem mais forte do Japão – não, mais que isso, do mundo inteiro! Eu decidi que possuiria um poder marcial inigualável. Com este sonho perante mim, eu treinei severamente. Um dia um marinheiro me confrontou, uma pessoa que dizia ser 7º dan em Kendo. Estranhamente, ao encontrá-lo, senti que meu corpo era envolvido por um forte brilho e facilmente me assegurei da vitória. Mas após isso, um sentimento oculto nasceu dentro de mim, e ao caminhar por um jardim eu imaginei que inumeráveis filetes dourados vinham do universo até mim. Então, uma luz dourada partiu da terra e me engolfou. Então eu tive a sensação de que meu corpo tinha se tornado um corpo de ouro que se expandiu a proporções universais. Nesse momento senti que os deuses estavam me punindo por minha grande presunção e chorei lágrimas de gratidão. No passado, existiram muitos grandes mestres de artes marciais, mas nunca devemos nos esquecer do grande número dos que desapareceram em campos de batalha deste mundo material apenas por não terem treinamento suficiente sobre o verdadeiro espírito do budo, sobre o amor sincero e sobre a batalha contra si próprio. Assim, ao assimilar o principio do Universo, e recebendo o ki do Céu e da Terra, quando eu unifiquei este corpo inteiramente humano, descobri a sutil profundidade do Aikido que manifesta tal grande poder, e atingi o princípio da unidade com o Universo. Mesmo assim, ao viajar por este caminho, descobri que o contato com as pessoas se tornou cada vez mais um obstáculo, então me mudei para Tókio e agora me afastei para (uma fazenda em) Iwama, na Prefeitura de Ibaraki. Parece que ao diminuir meu contato com os seres humanos eu estou mais capaz de intuir de forma aguda o princípio da união com o Universo. Para resumir, o problema com as pessoas atuais que têm os corpos fracos é que elas são incapazes de sobreviver em um mundo de completo acordo e de completa falta de desejo. Assim, eu gostaria de apresentar minha rotina diária porque acho que ela pode ser muito útil para as pessoas fisicamente fracas. Cedo pela manhã, antes do alvorecer, às 4:00 da manhã, estou fora da cama, e imediatamente faço misogi (purificação ritual) limpando todo o meu corpo com água gelada. Depois saio descalço e rezo para o céu oriental. “Ao unir meu ki com o do Universo, eu acolho e me reúno com toda a criação. É neste momento que me uno com o Universo e recebo e respiro os ensinamentos sagrados dos Céus e da Terra. Minha forma, de pé perante o santuário (do Universo) está em um estado de harmonia com os Céus e a Terra”. Depois eu rezo para as 4 direções e ergo meus olhos para o santuário dos oito deuses no Palácio Imperial, desejando à sua Majestade Imperial, o Imperador, vida longa (banzai). Ao fazer isso aplacamos os deuses e oramos por sua pacificação. Também há o método de vocalização conhecido como Aikido Kotodama. Ao se intonar os 75 sons formamos palavras de purificação para o universo. Pai Celestial, ao criar as 75 expressões vocais, Você condescende em nos ensinar o Caminho do Aiki. Neste estado uma pessoa se torna una com as plantas e as árvores e não existe nenhum tipo de discriminação. Aqui está a oportunidade para sentir a maior felicidade que é possível na vida. Uma alegria que não se compara a mais nada. Depois paro em frente ao santuário da casa. Após um curto tempo eu faço orações perante o santuário Aiki das proximidades, que honra Hayatakenushi No O Mikoto, Sarutahiko No O kami e vários outros deuses. Recentemente o número das pessoas que vêm prestar suas homenagens neste santuário cresceu ainda mais. Tenho certeza de que muitos leitores estarão interessados em se unir a elas. (O santuário está localizado na cidade de Iwama, na Prefeitura de Ibaraki, e pode-se chegar lá pegando a linha Joban de Tókio para Iwama. Ele fica a apenas 7 ou 8 minutos de caminhada da estação). Em resumo, as pessoas fracas são o resultado do desconhecimento da verdade, de que a humanidade e os céus e a terra são uma unidade. Ao compreender os princípios da unificação com o Universo (tenchi) e torná-los ativos em sua vida diária, os seres humanos se tornam capazes de transmitir as “técnicas sagradas dos deuses”.

(de “Ningen no Shinri,” Setembro de 1958, cortesia de Sadateru Arikawa Sensei)

Evitando Disparos Concentrados de Revólveres.

(Texto extraído da Autobiografia de Gozo Shioda – Aikido Shugyo)

Por falar em coisas estranhas, deixe contar sobre um acontecimento extremamente estranho. Isso é uma coisa da qual eu também fui testemunha com meus próprios olhos.

Uma vez, um oficial do departamento de munições do exército, juntamente com nove militares, vieram visitar o Dojo Ueshiba.

Vieram conhecer e assistir a arte maravilhosa do Aikido, que tanto ouviram falar. Essas outras pessoas militares eram inspetores de armas. Eles testavam novas armas, se suas miras eram precisas ou não. Suas habilidaes de tiro eram a nível olímpico, e percebi que acertavam o alvo todas as vezes.

O Sensei Ueshiba, que havia feito uma demonstração anterior a esse pessoal nesse dia, havia dito que “balas não me atingem”. Eu havia, anteriormente ouvido que quando ele esteve na Mongólia, ele havia evitado que as balas da brigada cavalaria montada o atingissem, mas isso agora era muito diferente. O orgulho do inspetor foi ferido naquele momento, ele eles ficaram muito bravos.

“O senhor tem certeza de que as balas não o tocam?”, perguntaram.
“Oh, não, elas não me tocam”, disse o O Sensei.
“Então o senhor gostaria de tentar?”
“Certamente”, respondeu.

Eles confiaram em sua palavra e no mesmo instante arranjaram a data em que se encontrariam no Centro de Tiro do Exército de Okubo. Antes da data, fizeram com que O Sensei Ueshiba assinasse oficialmente um documento, que dizia estar de acordo em tornar-se um alvo vivo para os oficiais do exército e o fizeram assinar o documento com sua impressão digital. Como precaução e verificação, levaram o documento para a Côrte do exército. Assim, mesmo que o O Sensei fosse atingido e morto, não haveriam ações judiciais de responsabilidade contra o exército.

O dia marcado chegou, e um carro militar veio apanhar o O Sensei e levá-lo até a área de tiro em Okubo. O Sr. Yukawa e eu o acompanhamos. Naturalmente, a esposa do O Sensei estava muito ansiosa e preocupada, tentando faze-lo mudar de idéia, mas ele continuava a responder suavemente, “Está tudo bem, eles nunca atingirão o alvo”…

O Sr. Yukawa e eu também estávamos muito preocupados; ao ponto de pensarmos se não seria o caso de fazermos preparativos para o funeral. Quando chegamos na área de tiro, outra surpresa n os aguardava. Eu estava esperando que só uma arma fosse apontada para o O Sensei, mas descobrimos que eram seis pessoas que estariam disparando contra ele. A melhor distância para disparo de pistolas era de 25 metros e, normalmente, um alvo em forma humana era colocado a essa distância. No entanto, dessa vez, o Sensei Ueshiba estaria no lugar do alvo de papel. Os seis homens tomaram posição, mirando o Sensei Ueshiba. Enquanto eu o olhava, continuava imaginando desamparado que, 25 metros é uma distância considerável, e o que, pelo amor de deus, o O Sensei poderia fazer de lá.

Um, Dois, Três. Os seis revólveres dispararam ao mesmo tempo e uma nuvem de poeira nos envolveu. Então, de repente, um dos seis atiradores estava voando pelos ares!! O que havia acontecido? Antes que pudéssemos compreender, Sensei estava de pé atrás dos seis homens, rindo e mexendo com sua barba. Todos estávamos desconsertados. Eu verdadeiramente não conseguia entender o que havia acontecido. Não só eu, mas todos os presentes estavam tão estupefatos que não conseguiam achara as palavras para expressar o choque. Os seis inspetores ainda não haviam se convencido e perguntaram ao O Sensei se poderiam fazer tudo novamente. “Tudo bem”, ele respondeu indiferente.

Mais uma vez, os seis miraram o Sensei Ueshiba e atiraram. Dessa vez o inspetor na ponta do grupo voou pelos ares. E exatamente da mesma maneira que anteriormente, o Sensei Uesgiba estava de pá atrás dos seis inspetores, antes que soubéssemos o que havia acontecido. Eu estava mudo de espanto. Nesse dia eu prometi a mim mesmo olhar com muito cuidado e prestar a atenção em tudo o que o Sensei estiver fazendo. Mas mesmo prestando toda a atenção e pensando muito, eu não conseguia entender como ele se moveu.

Encarar o Sensei Ueshiba foi o mesmo ser mirado pelos seis revólveres que haviam sido disparados. Até aí eu me lembro claramente, mas o próximo passo, onde o O Sensei se moveu pela distância de 25 metros e arremessar um dos seis atiradores, eu simplesmente não conseguia entender. Não consegui achar nenhuma explicação, a não ser “Técnicas de Deus”.

Em Nosso caminho de volta, perguntei: “Sensei, como voce conseguiu fazer aquilo?”, e recebi a resposta seguinte.

Antes da explosão, quando o gatilho é puxado, um flash, como uma bola dourada é solto. A bala do revólver sai depois, então é fácil de se evitar o tiro. Nesse caso, mesmo havendo a intenção dos seis atirarem ao mesmo tempo, eles nunca o fazem exatamente juntos. Porque atiram a um tempo um pouco diferente. Eu só tive que ir ao que ia disparar primeiro. “O flash dourado faz um barulho espetacular”, disse o O Sensei. De acordo com ele, após o barulho ele começaria a correr. Ele correu na forma de um ninja, com suas costas abaixadas, danado passos curtos e pequenos. A verdadeira bala viria quando ele já estivesse corrido mais ou menos a metade da distância.

Sensei disse que o tempo entre o flash dourado e a bala é relativamente longo, mas para nós assistindo, tudo se passou tão rápido que não tínhamos idéia de ele estava tentando chegar perto suficiente para arremessar o primeiro homem que havia disparado.

“Deus disse que sou necessário para esse mundo e decidiu deixar-me viver. Meu período de purificação ainda não está acabado, então ainda não posso morrer. Quando eu não for mais necessário para esse mundo, os deuses me deixarão seguir para o outro lado”. O Sensei parecia estar convencido, mas é claro que nós não entendíamos o que ele queria dizer.

Eu sei que vocês leitores não acreditarão facilmente em histórias como essas, mas essas coisa entranhas realmente aconteceram.

Desafio com um mestre caçador

Há uma outra história que se relaciona com a anterior.

Um de meus conhecidos, Sr. Sadajiro Sato, era um caçador da Prefeitura de Yamanashi. Ele era conhecido como o mestre das armas de caça. Por exemplo, caçadores normalmente miram e atiram em faisões quando eles estão vindo para o chão. Nesse momento se sabe que sua velocidade de vôo é por volta de 200 km por hora. Se o faisão é atingido na cabeça, ele cairá diretamente no chão, mas se o tiro atingir o corpo, ele cairá numa distância bem mais longa. É claro que os caçadores sempre tentam atingir a cabeça, mas não é um alvo muito fácil. A questão é, o Sr. Sato sempre acertava a cabeça em todos os seus tiros — ele era o mestre dos mestres.

Um dia contei ao Sr. Sato a história do Sensei Ueshiba evitando os seis revólveres. “Mesmo se ele fez isso, ele certamente nunca evitaria o meu tiro”, disse o Sr. Sato confiantemente. “Uma cabeça humana é muito maior que a cabeça dos pássaros que estou acostumado a acertar. Eu não consigo me imaginar errando-a”. Dito isso, o Sr. Sato veio para baixo das montanhas para desafiar o Sensei Ueshiba. Eu o acompanhei ao Dojo Ueshiba e disse ao O Sensei que o Sr. Sato queria desafiá-lo. O O Sensei aceitou a proposta.

Eu olhei cuidadosamente, e um pouco ansiosamente, quando o O Sensei sentou-se em seizá no ponto mais distante do dojo, enquanto o Sr. Sato tomou distância e mirou. Quando ele estava para apertar o gatilho, o O Sensei abaixou sua cabeça em reconhecimento e disse, “Pare! Seu tiro vai me atingir! Seus pensamentos não estão distorcidos e voce realmente quer me acertar. Desde o começo voce soube que atingiria o seu alvo. Eu não posso evitar a arma de tal homem, voce é um verdadeiro mestre!”. O Sr. Sato retornou feliz para suas montanhas.

Eu estava profundamente impressionado. O Sr. Sato era um mestre com armas e o Sensei Ueshiba reconheceu isso e desistiu. Isso é a prova de que um mestre pode reconhecer a outro mestre. Eu tive muita sorte de ser capaz de ver os dois mestres preciosos desafiando-se entre si.

Fonte: www.aikikai.org.br

Ataques da vida

Enfrentar os ataques da vida (sim, a vida nos ataca através de pessoas e situações adversas) é uma arte!
Devo bloquear? Atacar antes? Reagir com violência ou amor?
Como e o que é reagir com amor?
Quando me coloco no lugar do outro tentando entender seus motivos; quando tenho o coração cheio de compaixão e amor incondicional; quando não reclamo nem desânimo diante desses “ataques”.
São tantas as maneiras que a natureza nos mostra… 
Se observarmos sem julgar nada, então teremos condições de mudar uma situação de conflito e criar harmonia!

A União do Corpo e do Espírito pelo treinamento

Por Morihei Ueshiba

Técnicas que utilizam o Tegatana (a mão como espada), devem ser executadas com movimentos que harmonizam o Yin e o Yang. Isso é porque seu corpo é uno com o Universo. É possível ler o movimentos dos outros se voce o saúda com o sentimento de abraçá-lo com uma benevolência magnífica, vinda de dentro de seu coração. Ao interagirmos, entretanto, com os movimentos da pessoa, é possível se mover para a esquerda ou para a direita e evitar o conflito. Igualmente, é possível conduzir a outra pessoa de volta ao Caminho que lhe foi dado pelos Céus, ao envolver a pessoa com seu coração(KOKORO). Por exemplo, se a outra pessoa está se preparando para atacar, voce deve aceitar a esse ataque e fazê-lo atacar. Então voce pacificará o ataque ao sair rapidamente para a direita ou esquerda. Sobrepondo-se a barreira da Vida e da Morte, é possível de se conquistar o Caminho claramente, mesmo que se esteja encarando a morte certa. É importante que se tenha essas coisas em mente nos treinos diários. No passado, as Artes Marciais eram praticadas a portas fechadas, em concordância com o Caminho, e se utilizando da respiração do Universo, e por isso abrindo um espaço entre o oponente e seu eu, como a água. Isso quer dizer que a separação do físico e do psicológico do próprio Ser e do Oponente, se tornavam relativos. Se o oponente trouxesse o Fogo, deveria ser recebido com a Água. Ou, quando se convidasse um oponente a atacar, voce estaria rodeado de Água e, assim, estaria à salvo, fora de seu alcance. Em outras palavras, se o oponente atacasse, ele não o tocaria porque continuaria separado de voce pela Água. Todos os ataques deveriam ser recebidos com esse mesmo Kokyu e princípio. Se voce pratica isso, Inteligência, Sinceridade e Coragem aparecerão naturalmente. Ao se tornar um grande espírito de Harmonia, e ao transformar seu corpo todo em Aiki, será possível de entrar no reino do completo altruísmo. É, por isso, possível construir um espírito realmente maravilhoso ao mover-se de uma revelação Satori para outra nesse Caminho. É por essa razão, importante de se lembrar que é o coração das pessoas que governa o Universo. Por isso é importante que se traga de volta os princípios do Céu, Terra, Fogo, Água e Yin e Yang, quando se treina. A unificação espiritual das mãos, pés e quadris é muito importante para o corpo todo. Deve se pensar profundamente sobre a importância especial das mãos, pois são as mãos que conduzem aos outros e que levam aos outros te conduzirem. Voce deve trabalhar duro para entender isso. Se a outra pessoa tentar puxar, voce deve ir junto com ela e lutar para fazer um pensamento de puxar surgir. Quando a sua prática nas técnicas progride, voce virá a reconhecer o que é que está faltando em seu oponente, e em seguida mover-se para preencher esse vazio com a técnica apropriada. Ler esses vazios é, de fato, o Caminho do Aiki. O Verdadeiro Aikido não é, entretanto, simplesmente superar aos outros, mas levar aos outros a, por si mesmos, remover o espírito relativista que é o ponto de origem da distância que separa. Prática diária é para harmonizar e fazer UM só o espírito e de tudo o mais que aparece neste mundo. O Aikido não é meramente para superar aos outros, é essencial que se pratique diariamente a unificação do corpo e espírito.

Texto extraído do Jornal The Aikido – nº 04 – 1990 ( Traduzido por Paulo Proença-Dojo Kokoro Sorocaba)

Montanhas

Travessia Petrópolis-Teresópolis

Traçar objetivos
Vencer obstáculos
Cumprir metas
Sonhar
Sonhar

E então
Avançar sem esmorecer
Poderia estacionar
Reclamar dos arranhões
Reclamar de tudo e de todos
Mas sigo em frente
Para o Alto

Ver o que nunca vi
Sentir o que nunca senti
E retornar melhorado