(Tese para Shodan do Instituto Takemussu brazil aikikai).
Por LUIZ CAMINO.
Após alguns anos de prática (na verdade, poucos anos se comparados com os nossos grandes mestres); achei por bem escrever sobre gratidão, ou melhor, aquilo que aprendemos nos princípios essenciais do aikido: “As quatro gratidões”.
Nada mais justo do que agradecer a tudo e a todos que me ajudaram a chegar neste momento da minha vida, momento este tão esperado por todos os praticantes desta arte: O EXAME PARA SHODAN! Mas, temos que entender que a busca pela harmonia, em todos os sentidos, é contínua e eterna. Devemos ter a humildade de agradecer sempre, pois ninguém consegue evoluir neste caminho sozinho.
Dentro dos princípios essenciais, temos as “Quatro Gratidões”:
1) GRATIDÃO PARA COM O UNIVERSO
Como dizia O-Sensei: “Quando você reverencia o universo, ele o reverencia de volta.”
Na minha opinião, devemos agradecer todos os dias ao universo, a tudo que nos rodeia e a oportunidade de estarmos vivos e saudáveis, para que possamos desfrutar dessa criação divina.
Como está escrito na Bíblia, livro de Gênesis: “No começo DEUS criou os céus e a terra”, sendo assim, nós viemos depois desta criação, por isso, devemos gratidão a este universo maravilhoso.
2) GRATIDÃO PARA COM NOSSOS ANCESTRAIS E PREDECESSORES
Nossa gratidão deve se estender aqueles que vieram antes de nós, que abriram as portas para nossa existência e com isso trouxeram a modernidade, o conhecimento, a ciência e tudo mais que nos rodeia.
O grande mestre de judô, KYUZO MIFUNE (1883-1965), sempre dizia: “Sou grato aos meus pais por me darem um corpo tão pequeno. Dessa maneira, eu posso treinar duas vezes mais para derrotar aqueles que são bem maiores, e minha técnica se tornar mais poderosa.”
Assim como este grande mestre, devemos ter gratidão pelo que somos e por quem somos, buscando melhorar a cada dia, mas sempre se lembrando daqueles que estiveram aqui antes de nós.
Ainda no livro de Gênesis, podemos ler: “Então, do pó da terra, o SENHOR formou o ser humano. O SENHOR soprou no nariz dele uma respiração de vida, e assim ele se tornou um ser vivo.”
A partir deste momento, devemos gratidão!
3) GRATIDÃO PARA COM O PRÓXIMO
Ninguém vive ou cresce neste mundo sozinho. Por mais que uma pessoa diga que vive muito bem só, um dia, ainda bebê, ele precisou dos cuidados de alguém para se tornar um adulto.
A gratidão para com o próximo deve ser eterna. Mesmo que um dia você atinja um alto grau de conhecimento e prática através do aikido, você sempre deverá ser grato a todos que passaram junto com você por este caminho.
Mestre UESHIBA disse uma vez aos seus alunos: “Na verdade – eu não tenho alunos – vocês são meus amigos, e eu aprendo com vocês.”
Na Bíblia, no evangelho de Lucas, podemos ler: “Não julguem os outros, e DEUS não julgará vocês. Não condenem os outros, e DEUS não condenará vocês.”
A partir do momento que deixamos de julgar os outros, deixamos nosso coração mais aberto para que possamos ter gratidão ao próximo.
4) GRATIDÃO PARA COM AS PLANTAS E ANIMAIS QUE SACRIFICAM SUAS VIDAS POR NÓS
O monge zen RYOKAN (1768-1831) se curvava e pedia a bênção de BUDA toda vez que encontrava agricultores trabalhando nos campos de arroz.
Dependemos diariamente dos alimentos que nos sustentam e que nos mantém vivos a cada dia. Em tempos passados, os índios norte-americanos caçadores nunca se esqueciam de agradecer aos animais que generosamente se deixavam matar.
Na Bíblia, em Deuteronômio, está escrito: “Juntem a décima parte das colheitas e guardem nas cidades onde vocês moram. Essa comida é para os levitas, para os estrangeiros, os órfãos e as viúvas, assim todos eles terão toda a comida que precisarem.”
Como podemos ver, além de agradecer por tudo aquilo que nos alimenta, devemos também dividir, como um gesto de gratidão, com aqueles que necessitam e que por algum motivo, não tem o alimento de cada dia.
Em resumo, o mundo viveria em verdadeira harmonia se todas as pessoas que aqui vivem, deixassem de lado o orgulho, a vaidade e a presunção, e tivessem o prazer de ser grato.
Acredito que essa seja nossa busca. A busca da melhoria constante em diversos aspectos: técnicos, financeiros, espiritual, na saúde, entre outros. Mas, para que isso ocorra, devemos deixar de lado nossas crenças e os padrões que nos são implantados, para que possamos deixar o novo entrar em nossas mentes. A gratidão é uma forma de mudança, pois se você é grato a alguma coisa ou a alguém, é por que esta coisa ou este alguém está lhe fazendo bem; e quando algo lhe faz bem, você se entrega de corpo e alma, ou seja, você absorve tudo com mais facilidade.
Sendo assim, estou aqui apenas para agradecer, de uma forma humilde a cada um que esteve neste caminho chamado AIKIDO.
A GRATIDÃO É UMA DAS FORMAS DE DISSEMINARMOS O AMOR!
AGRADECIMENTOS
Para aqueles que não sabem, sempre pertenci ao shugyo dojo da cidade de Santos, mas fiquei morando em São Paulo por seis anos; sendo assim, o instituto takemussu se tornou; pelo menos para mim, uma extensão do shugyo aqui em São Paulo, principalmente nas aulas de sábado de manhã que são ministradas pelo Sensei Tamotsu. Desta forma, gostaria de fazer estes agradecimentos em dois blocos: “a turma de São Paulo e a turma de Santos”, que no fundo, pertencem à mesma família.
Começo agradecendo a DEUS, por hoje está aqui!
Agradeço muito a minha família pela paciência e pelo incentivo.
Agradeço a O´SENSEI, pela iluminação espiritual.
Ao nosso Sensei Wagner Bull, o aluno mais aplicado de todo instituto.
“A TURMA DE SANTOS”: Sensei Tamotsu, Sensei Osmar, Senpai Fred, Senpai Rodrigo, Senpai Ilídio, Senpai Nilce, Senpai Paty, Senpai Claudião, e aos amigos: Antonio, Asse, Marcelo, Hílios, Evandro, Lais, Eliete, Rosana, Mercedes, Shin Iti, Marcos, Seiki, Amilton, Denise, Rubens, Bruna, Rogério, Roman, Vitor, Marcelo, João, Claudio, Carlos, José, Sandra, Wilson, Adão, Guilherme, Minder, Michelle, Glaucia, Yohan, Felipe, Nilson, Nilton, Roberto, Kenji. Agradeço também aquela turma do “meu” começo, que saiu um pouco do caminho, mas acredito que um dia voltarão: Brisotti, Éder, Marcão, Dunga, Kasunari, Jorge, Marcos Tenente, Ilo, Luiz Felipe “Casca”. Aproveito para me desculpar pela minha ausência, pois muitos se ofereceram para me ajudar a treinar para o meu exame, mas devido a minha falta de tempo, entre viagens e compromissos, deixei de comparecer e aproveitar o treinamento. Mesmo assim, fica o meu agradecimento e meu carinho por cada um de vocês.
“A TURMA DE SÃO PAULO”
Um agradecimento especial ao meu companheiro de exame, que deixou suas horas de folga para treinar comigo: Raimundo Nonato. E aos amigos de todos os dias: Alexandre Bull, Miura, Matsuda, Edgar, Cristina, Bruno, Otávio, Claudineis, Rodrigo Silvério, José Carlos, Marcelo Anache, Ademar, David, Roque, Camilo, Willian, Pierre, Élio, Guilherme Sueto, Roberto Sato, Rafael, Alexis, José Rodrigo, Eduardo Kanasi, Marcão, Fabi, Fabinho, Washington, Cris Godoy, Rafinha, Rodrigo, Claudinha, Satie E Bala, Cabral, Ednei, Gomig, Alexandre Borges, Consani, Marcos Ucci, Amauri, Sidão, Esbaile, Yamadinha, Edu, Sensei Constantino Delis, Francisco Lima, Thiago Conde e Sensei Conde.
Gostaria também de agradecer a uma pessoa que apesar de não treinar conosco, tem grande importância dentro do instituto: Dra Marília, pelas palavras de carinho com a minha pessoa.
Com certeza, esqueci de citar vários nomes que já percorreram este caminho junto comigo, por isso, fica o meu agradecimento: DOMO ARIGATÔ GOZAIMASHITA!
Original em http://www.aikikai.org.br
